O alienista
A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente.
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A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente.
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Simão Bacamarte, médico da pequena cidade de Itaguaí, passa a se interessar pela psiquiatria e decide estudar a loucura. Para isso, cria um sanatório chamado Casa Verde. No início, interna apenas os que todos consideram loucos. Com o tempo, porém, seus critérios se ampliam tanto que qualquer pessoa pode ser diagnosticada. Logo, até gente vista como perfeitamente normal começa a ser levada para a Casa Verde, e o medo toma conta da cidade. Muitos evitam conversar com o médico para não correr o risco de serem internados.
A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente.
Em certo momento, a maior parte da população já está trancada na Casa Verde. É então que Simão percebe que a loucura, e não a sanidade, é o estado comum do ser humano. A razão, para ele, torna-se o verdadeiro desvio do cérebro. Desde o início já era possível notar que, com tamanha fixação na loucura e um olhar clínico exagerado para encontrar desequilíbrio em qualquer gesto, o próprio Simão era o mais louco de todos. Por isso decide se internar.
Recolhi-me à Casa Verde, porque achei que era o único são entre os loucos, e isso era ser louco também.
A ironia é clara: se ele conclui que o normal é ser louco e que os ajuizados são exceção, então, por ser excessivamente racional, ele próprio se torna o anormal, o verdadeiro louco. Ele acredita estar doente por ser lúcido demais, mas na verdade é a razão levada ao extremo que o enlouquece. Quem nunca ouviu a frase “você vai ficar louco de tanto estudar”? Foi exatamente isso que aconteceu com Simão Bacamarte.
Este texto é orgânico,
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