As quatro estações de Vivaldi, regência de Jordi Savall

Antonio Vivaldi - Le Quattro Stagioni & Concerti d’Il cimento dell’armonia e dell’inventione - Concert des Nations, Jordi Savall (2024)

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Eu já tinha escutado As Quatro Estações, mas confesso que nunca parei para realmente ouvir. Depois de passar por bastante porcaria no Desafio 1001 Álbuns para se Ouvir Antes de Morrer (atualmente já ouvi 116), precisei de algo que fosse realmente bom, que me emocionasse. A resposta, sem dúvidas, é a música clássica. Eu queria me emocionar, chorar, não apenas ouvir uma música por ouvir. Para isso, decidi montar uma espécie de Jornada Musical, em que eu não só escutaria, mas tentaria sentir de fato a proposta de cada obra. Sem grandes esforços técnicos ou intelectuais, apenas me deixar levar. Daí a escolha: As Quatro Estações, a obra que inaugura essa jornada.

A primeira coisa foi escolher uma interpretação. Confesso que nunca tinha parado para comparar, mas descobri que algumas versões se afastam bastante da forma como o compositor pensou, chegando quase ao rock; outras procuram se aproximar ao máximo da maneira como era apresentada em sua época.

Como leigo, não vejo problema em haver interpretações diferentes. A versão de Nigel Kennedy (1989), por exemplo, é descrita como super intensa, quase rock - e em algum momento ainda quero conferir. Mas acabei optando pela versão de Jordi Savall (Antonio Vivaldi - Le Quattro Stagioni & Concerti d’Il cimento dell’armonia e dell’inventione - Le Concert des Nations, 2024). Savall é um dos maiores especialistas em música antiga e barroca do mundo. Além de reger, recria a atmosfera histórica com instrumentos de época, afinação original etc. O Concert des Nations segue essa linha. Entendo profundamente o que isso significa? De forma alguma 😂, mas pareceu uma boa escolha.

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O álbum, de 2024, traz os sonetos narrados, exatamente como Vivaldi concebeu. Foi uma surpresa maravilhosa: a primeira vez que ouvi a obra narrada, nem sabia que era assim originalmente! Além de As Quatro Estações (Le Quattro Stagioni : ah, a beleza da língua italiana…), o álbum inclui outros concertos de Vivaldi, como La Tempesta di mare e Il Proteo.

Quanto à escuta, optei por um mapa guiado, para aproveitar ao máximo. Valeu totalmente a pena: é como se recriássemos as cenas em nossa mente. Percebi coisas que nunca havia notado (talvez óbvias para muitos, mas não para mim). Em A Primavera: os violinos trinam como pássaros, há o murmúrio do riacho, trovões e relâmpagos, o cão que late, a festa campestre… Em O Verão: o calor sufocante, a brisa suave, o vento do norte que explode, o pastor pressentindo a tempestade que chega violenta, com trovões, raios e granizo. Em O Outono: a festa da colheita, as danças alegres, a bebedeira regada a vinho que se dissolve em cansaço e sono profundo. No dia seguinte, as trompas de caça soam, cães e caçadores perseguem a presa, o animal tenta fugir, mas no final é abatido. Em O Inverno: o frio intenso, os tremores e dentes batendo, pessoas correndo e batendo os pés para se aquecer, o calor da lareira, a chuva lá fora, o caminhar cauteloso sobre o gelo, escorregões e quedas… e, mesmo no inverno, há alegria!

Eu recomendo a qualquer um fazer o mesmo: procurar os sonetos, uma descrição das cenas, um mapa de escuta, como uma legenda sincronizada. Depois ouvi Le Quattro Stagioni outras vezes sem esse apoio, apenas com um bom fone de ouvido e olhos fechados, e foi incrível perceber como minha relação com a obra mudou. Foi como sentir a vida campestre na pele.

As Quatro Estações não é apenas música bonita ou agradável: é uma experiência de viver, através do som, o ciclo da natureza e das emoções humanas. Foi uma escolha perfeita depois de tantos álbuns de qualidade duvidosa no desafio dos 1001. É sério: não sei quem faz essa lista, mas só consigo imaginar lobby, porque coisa boa é universal!



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