Pronominais, de Oswald de Andrade
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Oswald de Andrade
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro
Interessante como Oswald explora uma característica tão marcante do português brasileiro: embora a norma-padrão tradicional rejeite o pronome oblíquo átono no início da oração, construções como “me dá um cigarro” são absolutamente naturais na fala brasileira.
Mais do que uma diferença de colocação pronominal, há também uma diferença de registro e de efeito: “dê-me um cigarro” soa formal, distante e até artificial na fala cotidiana; “me dá um cigarro” soa espontâneo, coloquial e brasileiro.
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